Que tal ler livros policiais de autores gaúchos? Confira cinco dicas
- Maristela Scheuer Deves
- 23 de jul. de 2020
- 4 min de leitura
Atualizado: 25 de ago. de 2020

(A quinta dica, O Caso do E-Mail, não está na foto porque não localizei meu exemplar)
A boa literatura policial é feita essencialmente por livros de autores estrangeiros, certo?
Errado!
Aqui no Brasil temos, também, ótimos autores desse gênero, embora nem todos sejam (re)conhecidos. Há vários exemplos recentes, mas essa história vem de longe: segundo o livro O Mundo Emocionante do Romance Policial, de Paulo de Medeiros e Albuquerque, a estreia nacional ocorreu em 1920, com a publicação por capítulos no jornal A Folha (ou seja, no formato de folhetim). O romance chamava-se O Mistério e teve 47 capítulos, assinados por quatro autores: Coelho Neto, Afrânio Peixoto, Viriato Correia e Medeiros e Albuquerque.
Como, entretanto, você está lendo este post em busca de sugestões do que ler agora, voltemos ao presente e aos autores mais contemporâneos - e gaúchos. Vou dar aqui cinco dicas, em diferentes estilos, com a ressalva de que há muitos outros bons autores e livros policiais por aí - assim que possível, volto a falar do tema e apresento mais alguns.
A primeira dica, que eu mesma só descobri recentemente, é o escritor Flávio Moreira da Costa, um gaúcho radicado no Rio de Janeiro, onde morreu no ano passado. Dele, sugiro o livro Três - Casos Policiais de Mário Livramento (Ediouro, 396 páginas), que reúne três histórias originalmente publicadas em separado: Os Mortos Estão Vivos, em que o repórter Mário Livramento se vê às voltas com antigos (e novos) nazistas; A Perseguição, que envolve máfia, e crime organizado e um brasileiro tentando sobreviver em Nova York; e Avenida Atlântida, que tematiza o contrabando e a corrupção. O estilo assemelha-se ao romance policial noir norte-americano - muita ação, violência, pitadas de sexo -, mas temperado com um humor bem brasileiro.
O segundo livro que quero indicar - e que não está na foto acima porque não consegui encontrar o meu exemplar - é O Caso do E-mail (Mercado Aberto, 140 páginas), de José Clemente Pozenato. Pois é, o conhecido autor de O Quatrilho também escreve literatura policial, e tem vários livros protagonizados pelo inspetor Pasúbio (aliás, interpretado por Lima Duarte na versão televisiva de O Caso do Martelo, o primeiro da série). Em O Caso do E-mail, um garoto está trocando mensagens com uma amiga e escreve que ouviu um tiro, o que dá à polícia a hora em que ocorreu um assassinato no prédio. Um detalhe é que o livro foi lançado no início dos anos 2000, bem antes do advento das mensagens instantâneas como temos hoje, e em que o próprio e-mail ainda era recente - e nessa tecnologia reside a chave do enigma.
Vale também a pena ler O Pentagrama de Dante (Quatrilho, 426 páginas), de Heleusa Concer. O personagem que dá título ao livro é Dante Fernandes, um detetive particular amargurado e à beira da falência que, de repente, começa a receber grandes somas de dinheiro em sua conta, depositadas por um cliente misterioso. Enquanto segue as instruções recebidas desse cliente, Dante percebe que a investigação tem a ver com seu próprio passado – e com o presente, que parece estar desmoronando. Sem querer dar spoilers, posso dizer que uma das melhores partes do livro é o final, muito bem pensado e que dá a base para o segundo livro de Heleusa, A Terceira Face do Espelho, que de certa forma retoma essa história, complementando-a sob um prisma totalmente diferente.
A quarta dica de hoje é Mistério no Centro Histórico (Dublinense, 160 páginas), de Taylor Diniz. Com cenários que vão de Porto Alegre à fronteira entre Brasil e Uruguai, a trama – protagonizada pelo detetive Walter Jacket e pelo aspirante a escritor Joãozinho Macedônio – envolve explosões, caça a terroristas e, na linha dos clássicos policiais, muito raciocínio e reviravoltas. Bons diálogos e situações inusitadas, que garantem momentos de humor, complementam o “cardápio” do livro.
Para fechar a lista, sugiro aos leitores conheceram A Culpa é dos Teus Pais (AGE, 176 páginas), que marcou a minha estreia na literatura. Nele, a repórter iniciante Guisela acompanha uma série de crimes totalmente diferentes entre si, com vítimas que aparentam não ter nada em comum. O detalhe é que, ao lado de cada corpo, o assassino deixa um bilhete: “a culpa é dos teus pais”. Que culpa os pais das vítimas poderiam ter? E qual seria a ligação entre elas? Uma jovem universitária, um comerciante solteirão, uma idosa, uma criança, entre outras... Quando se aproxima da verdade, Guisela vai perceber que, na lógica louca do assassino, ele também tem motivo para matá-la.
Um dia, volto à literatura policial e trago outros autores nacionais, não apenas gaúchos. Na verdade esse post era para ser sobre autores policiais brasileiros, mas quando vi que quatro das cinco dicas eram "daqui", resolvi trocar o quinto para ficar um quinteto gaúcho. Sem bairrismos, é bom conhecer e valorizar o que se produz por aqui, não é mesmo?
Falando nisso, não deixe de conferir também os posts sobre romances, livros de contos e livros de crônicas e de poesias de autores gaúchos que vale.
Boas leituras!
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