Intriga densa em "Criança 44"
- Maristela Scheuer Deves
- 13 de set. de 2020
- 1 min de leitura

O ano é 1933. A fome grassa em uma aldeia ucraniana, na então União Soviética, onde até os ratos já foram devorados. Dois meninos veem um gato e resolvem caçá-lo para ter o que comer, mas um deles acaba virando, ele próprio, a caça de um desconhecido. Assim se inicia o impactante romance Criança 44 (BestBolso, 416 págs.), de Tom Rob Smith.
A história principal, porém, começa algumas páginas e vinte anos depois. Agora estamos em Moscou, em 1953, e um menino é morto de forma violenta. O pai insiste que ele foi assassinado, mas as autoridadea garantem: a criança foi atropelada por um trem, afinal, naquela sociedade perfeita não existem assassinos.
Enquanto isso, Liév, agente da MGB, cai em desgraça por não querer denunciar a mulher, num ambiente em que muitos preferem entregar parentes pelo menor delito (mesmo que imaginado) para se salvar. Enviado a uma cidadezinha remota com um cargo subalterno, descobre que outros meninos estão tendo destinos semelhantes ao daquele supostamente atropelado. Mesmo contra as ordens superiores e colocando-se em risco, Liév resolve investigar a série de assassinatos.
Denso, o livro é instigante do início ao fim, repleto de intrigas, traições, medo, amor e ódio - e de revelações sobre até onde as pessoas podem ir quando são submetidas a situações extremas.
Lançado originalmente em 2008, o livro venceu o prêmio Ian Flemming de melhor obra de suspense e abre uma trilogia estrelada pelo agente Liév.
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